Aprender pela conexão
...fora do wi-fi!
Escrevendo sobre as coisas que o jardim ensina, fiquei refletindo em como é mais gostoso aprender com outras pessoas ou conexões, ao invés de jogar a pergunta no Google.
Constantemente recebo mensagens com perguntas que poderiam ser feitas ao Google, mas que por algum motivo foram feitas pra mim. Eu amo, amo muito, é meu jeito preferido de puxar papo: “ei, como é um ovo de cobra? já viu?!” do mais absoluto nada.
Passei um tempo pensando o que leva pessoas a perguntarem pra mim, que me animo com os temas e acabo me prolongando, ao invés do Google, que iria direto ao ponto com tópicos feitos por uma IA não solicitada (como eu odeio).
Tentei espelhar a situação e me perguntar porque eu também faço isso com outras pessoas. Se eu tenho uma dúvida de cozinha, por exemplo, eu recorro ao Misael e isso vira um papinho e às vezes até date executando algum teste. E não precisa ser necessariamente algo relacionado ao trabalho da pessoa, mas aos seus interesses pessoais.
Tenho um amigo a quem sempre recorro para indicações, de cafés a melhores opções de eletrônicos do mercado (ele não trabalha com nenhum dos dois). Eu geralmente recebo perguntas relacionadas a plantas, frutas e o meu preferido: fotos de insetos em plantas seguidas pela pergunta “quem é esse? É do bem ou do mal?”
(Eu amo quando insetos viram potenciais vilões dos Power Rangers. Apesar de que alguns insetos dão mesmo pavor. “Você sabia? É uma cochonilha de carapaça! Fuja para as colinas, chame a polícia, elas estão em tanques de guerra!”)
Recentemente o nicho de fotos que eu recebo também abarca frutas e a pergunta: “sabe qual é? Quer?”. E outro dia passei um tempão conversando sobre fungos, um tópico que jamais apareceria não fosse a pergunta aleatória que foi direcionada a mim ao invés do Google.
Acontece que aprender com outro humano é infinitamente melhor do que aprender com com o Google te enfiando IA guela abaixo. Tem coisas que só dá para aprender de verdade se conectando com os outros e tem conexões que só conseguimos firmar nesse tipo de troca.
Quer um exemplo? Foi uma criança da casa vizinha que aprendeu com a vó (que eu não conheço) quem me ensinou que meu braço coçava colhendo acerola porque eu não pedia licença ao pé antes de colher hahaha. Você sabia disso? Agora, toda vez peço licença e me escapa um sorriso lembrando do alerta da criança.
Claro, a gente também tem que saber aproveitar. Se você passar a responder exatamente como o Google responderia, a chance da conexão vai ser desperdiçada e você ainda vai sentir que enfiaram uma tarefa no seu dia.
Se alguém te manda foto de um inseto perguntando qual é, não diga: “Fulano de tal, nome científico fulanitus de talzitos! Fim, beijo, tchau”. Pra isso já existe o Google, aproveite a chance de conexão! O que ela espera é mais ou menos isso aqui:
“Uaaaau eu já vi um desses! Olha, sinceramente não sei o nome de verdade, eu chamo de ‘bicho coxudo’, olha só o tamanho das coxas desse inseto e como ele pula alto!! Eu achava até que ele voava, sabia? Mas não voa, é tipo o buzzlightyear, ele salta e vai caindo com estilo. Fico triste quando ele chega por aqui... ele fura várias frutas, sabe? por isso aprendi a colher as frutas um pouco antes delas estarem completamente maduras e assim não tive mais problemas com ele. O que ele tem feito por aí?”
Pronto. Uma nova conexão, agora, quando ele for visto de novo, vocês vão se lembrar dessa conversa e vão dar uma risada involuntária sobre um inseto ter coxas tão grandes.
Esse é um convite para que você, antes de arremessar ao Google suas curiosidades sobre o mundo, pense no seu círculo de pessoas e em quem você poderia puxar um papinho sobre aquilo. Geralmente o leque da curiosidade não se fecha, vai se abrindo mais um pouco, ainda bem! É importante manter um olhar curioso, é o olhar curioso que nos guia às melhores respostas.
(Esse texto é fruto de uma divagação que surgiu no processo de escrita do texto de verdade que deveria estar aqui hoje, mas que eu não terminei hahaha! Espero que te incentive a puxar bons papinhos e se conectar no mundo pra além da internet!)


Meu, que lindeza! Hoje minha mãe me perguntou se eu achava que existia céu pra cachorro. Agora sempre que me perguntarem qualquer coisa vou lembrar desse texto. Lindo lindo lindo.
nossa muito legal a forma que você escreveu isso!! pesquisar em IAs se tornou algo tão natural que me esqueço da importância que é questionar e dialogar com o outro. acho que agora precisamos fazer mais esforço para sair das nossas bolhinhas e reforçar nossos laços. fazer isso, de uma forma tão doce e leve, como você descreveu, torna ainda mais especial, forte e recordável! :)